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A 28 de fevereiro, dia em que começou a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, o litro de gasóleo custava em média 1,60 euros em Portugal. Na semana de 21 de setembro chegou aos 2,21 euros, o valor mais alto do ano. São 61 cêntimos a mais por litro, uma subida de quase 40% em sete meses.

Na semana de 28 de setembro houve algum alívio, com uma descida de cerca de 6 cêntimos. Ainda assim, o gasóleo continua mais de 55 cêntimos acima do valor de fevereiro.

Para um particular, isto significa mais uns euros por depósito. Para uma empresa com 10, 20 ou 50 viaturas, significa milhares de euros por ano que não estavam no orçamento. E como o combustível é habitualmente a maior despesa variável de uma frota, é também aquela onde a falta de controlo se paga mais caro.

O preço na bomba não depende da empresa. O que depende da empresa é quantos litros compra, onde os compra, e se sabe exatamente para onde vai cada um deles.

Este artigo explica o que aconteceu ao preço dos combustíveis em 2026, quanto custa esta subida a uma frota típica, onde se perde dinheiro sem dar por isso, e que medidas têm impacto real na fatura. Se procura um guia mais geral sobre consumo, temos um artigo dedicado a como reduzir o consumo da frota.

Condutor a abastecer uma carrinha comercial de empresa num posto de combustível

Índice

  1. O Que Aconteceu ao Preço dos Combustíveis em 2026
  2. Quanto Custa Esta Subida a Uma Frota
  3. Onde Se Perde Dinheiro em Combustível Sem Dar Por Isso
  4. Seis Medidas Para Reduzir o Impacto na Fatura
    1. 4.1 Medir o Consumo Real de Cada Viatura

    2. 4.2 Tratar os Desvios de Consumo Como Alertas de Manutenção

    3. 4.3 Rever os Extratos do Cartão Frota Todos os Meses

    4. 4.4 Escolher Onde e a Que Preço Se Abastece

    5. 4.5 Ajustar a Utilização e a Condução

    6. 4.6 Orçamentar Com Cenários, Não Com Um Preço Fixo

  5. Como o FleetMax Ajuda

1. O Que Aconteceu ao Preço dos Combustíveis em 2026

O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, no final de fevereiro, pôs em causa o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Antes da ofensiva, o Brent negociava perto dos 73 dólares por barril. Em março chegou a tocar os 120 dólares e, desde então, tem-se mantido na maior parte do tempo acima dos 100.

Em Portugal, o efeito chegou às bombas em poucas semanas. O gasóleo teve três subidas fortes seguidas em março e ultrapassou os 2 euros por litro. Entre abril e junho o preço recuou até perto de 1,76 euros, mas desde julho voltou a subir de forma quase contínua.

DataBrent (barril)Gasóleo simples (média nacional)Variação face a fevereiro
28 de fevereirocerca de 73 USD1,596 €/LReferência
30 de marçoacima de 100 USD2,072 €/L+0,48 €
27 de julhoacima de 100 USD2,058 €/L+0,46 €
21 de setembroacima de 100 USD2,210 €/L+0,61 €

Evolução do preço médio diário do gasóleo simples em Portugal entre janeiro e setembro de 2026, segundo a DGEG

Preço médio diário do gasóleo simples, em euros por litro. Fonte: DGEG – Preço Médio Diário.

Há três pormenores que interessam particularmente a quem gere uma frota.

  • O gasóleo passou a ser mais caro do que a gasolina. A inversão começou em julho e, em setembro, a diferença já ultrapassava os 10 cêntimos por litro. As frotas comerciais, maioritariamente a gasóleo, são as mais penalizadas.
  • A volatilidade é semanal. Há semanas com subidas de 15 cêntimos e semanas com descidas de 6 ou 13 cêntimos. Um orçamento anual feito com um preço fixo por litro fica desatualizado em poucas semanas.
  • O desconto extraordinário do ISP amortece, mas não resolve. Em setembro, o desconto no gasóleo era de cerca de 11 cêntimos por litro, uma fração da subida acumulada, e pode ser revisto a qualquer momento.

Os analistas não antecipam um regresso rápido aos preços de fevereiro. A Comissão Europeia já avisou que os preços da energia não voltarão ao normal logo que o conflito termine, e a EIA admite um Brent acima dos 120 dólares se as perturbações em Ormuz persistirem.

2. Quanto Custa Esta Subida a Uma Frota

Para dar uma ordem de grandeza, considere uma frota de 20 carrinhas comerciais a gasóleo, cada uma a fazer 30.000 quilómetros por ano com um consumo médio de 7 litros aos 100. A frota consome 42.000 litros por ano.

CenárioPreço por litroCusto anual da frotaCusto anual por viatura
Antes da guerra (28 de fevereiro)1,596 €67.032 €3.352 €
Semana de 21 de setembro2,210 €92.820 €4.641 €
Diferença+0,614 €+25.788 €+1.289 €

A mesma frota, com os mesmos quilómetros e os mesmos condutores, passa a gastar quase 26 mil euros por ano apenas em combustível. Para muitas PME, esse valor é comparável ao custo anual de um trabalhador.

O cálculo também funciona ao contrário, e é aí que está a oportunidade. Com o gasóleo a 2,21 euros, cada ponto percentual de consumo que se consegue cortar vale cerca de 930 euros por ano nesta frota. Uma redução de 5%, que é um objetivo realista com medidas de gestão, representa mais de 4.600 euros anuais.

Para fazer esta conta com os números da sua frota, basta multiplicar os litros consumidos no último ano pela diferença de preço. O difícil, na maioria das empresas, é saber quantos litros foram de facto consumidos, e por que viatura.

3. Onde Se Perde Dinheiro em Combustível Sem Dar Por Isso

Quando o combustível custava cerca de 1,60 euros, pequenas ineficiências passavam despercebidas no total do mês. A 2,21 euros, as mesmas ineficiências custam quase 40% mais. Quase todas têm uma origem em comum. A empresa conhece a fatura total do cartão frota, mas não sabe o que acontece viatura a viatura.

Origem da perdaComo se manifestaPor que passa despercebida
Consumo acima do normalUma viatura gasta 9 L/100 km quando devia gastar 7Sem quilómetros associados aos abastecimentos, não há consumo calculado
Manutenção em atrasoFiltros sujos, pneus com pressão baixa, injetores a precisar de revisãoO aumento de consumo é gradual e ninguém compara com o histórico
Abastecimentos indevidosLitros acima da capacidade do depósito, abastecimentos ao fim de semana ou longe da zona de trabalhoO extrato do cartão chega em Excel e ninguém o lê linha a linha
Utilização não planeadaDesvios de rota, uso privado não autorizado, viaturas grandes em serviços pequenosOs quilómetros não são comparados com o serviço prestado
Escolha do postoAbastecer sempre no mesmo posto, independentemente do preçoA diferença por litro parece pequena num abastecimento isolado

O problema de fundo não é falta de dados. Os cartões frota registam data, posto, litros e valor de cada abastecimento. O problema é que esses dados ficam num ficheiro por fornecedor, separados dos quilómetros, das manutenções e dos condutores. Sem os cruzar, uma viatura que consome quase 30% acima do normal aparece no extrato exatamente igual às outras.

4. Seis Medidas Para Reduzir o Impacto na Fatura

Nenhuma empresa controla o preço do Brent. Mas há medidas que reduzem os litros comprados e o preço médio pago por litro.

4.1 Medir o Consumo Real de Cada Viatura

É o ponto de partida de tudo o resto. Cada abastecimento deve ficar associado à viatura e à quilometragem do momento, para se calcular o consumo em litros aos 100 quilómetros. Com esse valor, compara-se cada viatura com o consumo de referência do modelo e com as viaturas iguais da frota.

Na simulação acima, uma única carrinha a consumir 10% acima do normal custa cerca de 460 euros por ano a mais. Três carrinhas nessa situação já somam quase 1.400 euros.

4.2 Tratar os Desvios de Consumo Como Alertas de Manutenção

Um aumento de consumo sem alteração de rota é muitas vezes o primeiro sinal de um problema mecânico. Pressão dos pneus, filtro de ar, injetores ou um travão a prender são causas frequentes. Cumprir o plano de revisões a tempo é, nesta altura, também uma medida de poupança de combustível. Explorámos este tema em detalhe no artigo sobre gestão de manutenção de frota.

4.3 Rever os Extratos do Cartão Frota Todos os Meses

Os abastecimentos indevidos raramente são dramáticos. São litros a mais num depósito, um abastecimento num sábado, ou uma viatura que abastece duas vezes no mesmo dia. Revistos um a um são difíceis de apanhar. Revistos em lote, com regras simples, saltam à vista:

  • Litros abastecidos acima da capacidade do depósito
  • Abastecimentos fora do horário de trabalho ou em dias sem serviço
  • Intervalos entre abastecimentos incompatíveis com os quilómetros percorridos

4.4 Escolher Onde e a Que Preço Se Abastece

Numa frota, a diferença de alguns cêntimos por litro entre postos repete-se em cada abastecimento de cada viatura. Duas medidas simples fazem diferença. A primeira é indicar aos condutores os postos mais baratos nas zonas onde trabalham, com base no portal Preços dos Combustíveis Online da DGEG. A segunda é rever as condições do cartão frota. Com os preços atuais, um desconto por litro melhor negociado vale mais do que valia há um ano.

4.5 Ajustar a Utilização e a Condução

Numa frota com modelos diferentes, o mesmo serviço pode custar o dobro em combustível consoante a viatura escolhida. Atribuir as viaturas mais eficientes aos condutores e serviços com mais quilómetros é uma poupança sem custo de investimento. O mesmo raciocínio aplica-se a rotas, a deslocações que podiam ser agrupadas, e a viaturas partilhadas que circulam quase vazias.

Em frotas com viaturas elétricas, a subida do gasóleo torna ainda mais vantajoso dar-lhes os percursos diários mais longos que a autonomia permita.

A forma de conduzir também conta. Motor ao ralenti, acelerações bruscas e velocidades altas em autoestrada aumentam o consumo de forma visível, e são hábitos que se corrigem com formação e acompanhamento. Deixámos dicas práticas no artigo sobre como reduzir o consumo da frota.

4.6 Orçamentar Com Cenários, Não Com Um Preço Fixo

Com variações semanais de 5 a 15 cêntimos, o orçamento de combustível deve ser revisto todos os meses. Uma forma simples é trabalhar com três cenários de preço, por exemplo 2,00, 2,20 e 2,40 euros por litro, e acompanhar o custo real contra eles. Assim, a direção sabe com antecedência o impacto de mais uma subida e pode repercuti-lo nos preços aos clientes antes de perder margem.

5. Como o FleetMax Ajuda

Para pôr em prática todas as medidas anteriores, é preciso ter os abastecimentos, os quilómetros, as manutenções e os condutores ligados a cada viatura, num só lugar. Numa folha de cálculo isso é possível com três viaturas. Com vinte, e extratos de fornecedores diferentes todos os meses, deixa de ser viável.

O Que a Plataforma Resolve

Importação automática dos extratos do cartão frota. O ficheiro Excel da gasolineira é importado tal como chega, as colunas são mapeadas uma única vez, e cada abastecimento fica associado automaticamente à viatura certa. O mesmo vale para a Via Verde e outros fornecedores. O que antes eram horas de trabalho manual passa a ser uma importação mensal.

Durante a importação, o sistema assinala automaticamente os registos incoerentes:

  • Quilómetros que não batem certo com os abastecimentos anterior e seguinte da mesma viatura
  • Distâncias impossíveis para o tempo decorrido, como 1.900km por dia numa viatura de serviço
  • Litros acima da capacidade do depósito, como 90L numa viatura com depósito de 60L

Ecrã do FleetMax com alertas na importação de abastecimentos: linha duplicada, litros acima da capacidade do depósito e quilómetros inconsistentes

Consumo real por viatura, comparado com a referência. O FleetMax cruza os litros de cada abastecimento com os quilómetros percorridos, lidos por GPS ou registados pelo condutor, e calcula o consumo real. Cada viatura pode ter um consumo de referência definido, e os painéis destacam as que estão acima dele. É assim que uma fuga, uma avaria ou um abastecimento indevido aparece antes do fim do trimestre.

Painel do FleetMax com as viaturas cujo consumo real está acima do consumo de referência, em litros aos 100 km

Rankings de custos e comparação entre viaturas. Os dashboards mostram as viaturas e os condutores com maiores despesas, o custo por quilómetro (€/km) e o custo total de posse (TCO). Quando uma viatura se destaca do resto da frota, é aí que se começa a investigar.

Manutenções e lembretes no mesmo sistema. Um consumo fora do normal pode ser verificado contra o histórico de revisões da viatura, e os lembretes garantem que as revisões não ficam em atraso numa altura em que cada litro conta.

Reembolsos pela app. Quando um condutor abastece fora do cartão frota, submete o pedido de reembolso com o recibo pela app. A despesa entra no mesmo histórico e não fica de fora das contas.

Nenhum software baixa o preço do gasóleo. O que muda é a empresa deixar de olhar apenas para a fatura total e passar a saber, viatura a viatura, onde está a gastar a mais. Com o litro acima dos 2 euros, essa diferença vale milhares de euros por ano.

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Este artigo tem caráter meramente informativo. Os preços indicados são médias nacionais de referência à data de publicação e variam por posto, marca e semana. A simulação usa pressupostos ilustrativos e não substitui a análise dos dados reais de cada frota.

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